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Notícias
Outubro 2008
Olá
a todos,
É
com muito prazer que vos enviamos esta segunda Newsletter
do Ano 2008. Desta forma pretendemos passar mais e melhor a informação
sobre as actividades, tornando-as
cada vez mais transparentes. Assim, a Conversas de Rua decidiu retomar
as suas notícias trimestrais.
Desta
vez, quisemos dar-vos a conhecer o dia-a-dia dos educadores da Conversas
de Rua. Assim, compilamos alguns testemunhos e histórias marcantes de
intervenções retirados dos diários de trabalho ou de conversas informais.
Como
temos muito para vos contar, aqui enviamos um resumo de cada área de trabalho
com links para o nosso site de forma a aceder à
totalidade da Newsletter.
Esperamos
que a leitura seja agradável e que estas notícias provoquem reacções, dúvidas
e opiniões. Não hesitem em contactar-nos. Já sabem que gostamos de conversa…
Alexis Varnier
Responsável de Comunicação e Financiamento
Educação pela Arte
Actividades de Enriquecimento Curricular
Pelo segundo ano consecutivo e na sequência da prioridade concedida pelo
Governo à melhoria das condições de ensino e aprendizagem no 1.º ciclo
do Ensino Básico, a Conversas de Rua-Associação
é responsável pela docência da Educação Musical em duas escolas
de Alvalade (101 e 111).
Os
nossos professores de Música, qualificados para o cargo, têm um acompanhamento
de um coordenador que, em cada uma das escolas, promove a ligação/comunicação
entre a associação, a escola e a família das crianças.
Para
além das aulas, criámos um horário semanal de formação, no qual os professores
planificam, definem estratégias e reflectem sobre o trabalho que está
a ser efectuado.
Para
além do ensino desta disciplina e desta formação para professores, temos
establecido comunicação entre os nossos professores e as escolas em
que actuamos, envolvendo as famílias dos nossos alunos e a comunidade
em geral. Convidamos pais a vir às aulas e a experimentar, organizamos
exibições e colaboramos com as escolas em festas e outros eventos que
se realizam ao longo do ano lectivo.
Participámos activamente na elaboração da festa de final de ano das escolas,
integrando os projectos de cada turma e articulando com os professores
titulares. Criámos um hino para uma das escolas, subordinado ao tema
do ano. Criámos cenários, escrevemos a letra, compusemos a música e
coreografámos as crianças para a apresentação final (ver fotografia).
Daniela Leal
Coordenadora de Área de Formação
Uma história pequena dum workshop
na rua
Tínhamos planeado fazer um workshop na rua.
No dia anterior corremos o bairro e não havia crianças nem jovens na
rua.
Fomos
para outra zona do bairro, podendo mesmo dizer-se que era outro bairro,
devido às características da população.
Aí.
sim encontrámos um grupo de crianças que estavam a jogar à “batota”
com cartas e a dinheiro.
A
mim não me espantou, mas achei estranho…
Aproximámo-nos
deles com os educadores que já eram conhecidos, cumprimentámo-los
e apresentaram-me. Desafiei-os a fazer um origami,
mas nem todos sabiam do que se tratava. Depois de estarem esclarecidas,
as crianças que assistiam ao desenrolar do jogo acederam e começámos
as primeiras dobragens, enquanto os “jogadores” diziam que se juntariam
a nós no fim… mas rapidamente desistiram e se juntaram ao resto do grupo.
Fizemos
três origamis o que foi
fantástico para miúdos que têm dificuldade em se concentrarem muito
tempo a fazer uma mesma coisa. Depois despediram-se e lá foi cada um
para seu sítio fazer outras actividades…
Francisco Peres
Coordinador de Educação
pela Arte
conversascomarte@conversasderua.org
Palavras de Educadores
Histórias da noite
Extractos do caderno de bordo da
equipa da noite
Abordei um grupo na noite de Lisboa, apresentando dicas sobre o consumo
de cocaína. Entreguei o Flyer sobre Cocaína
e fui dando as dicas de redução dos danos do consumo desta substância.
O grupo estava visivelmente sob o efeito de substâncias, apenas uma
das raparigas estava mais interessada em ouvir as dicas. Esta rapariga
referiu que concordava com a questão de não usar a nota como tubo para
snifar e com a não partilha do tubo, agradeceu esta dica
pois nunca se tinha apercebido da possibilidade de se poder apanhar
doenças como Hepatite, Gripe, entre outras. No entanto, a rapariga discordou
do facto de não consumir ao mesmo tempo álcoo: “Oh pá! Bacana,
isso é que não! Concordo com o resto das cenas e faz bué
sentido mas isso não. Eu curto é beber álcool e quando começo a ficar
mais down meto uns riscos de coca e depois para acalmar bebo
mais uns copos. Assim é que eu curto a noite”(sic).
Sensibilizei-a para a questão do dinheiro, de forma a controlar mais a
sua noite relativamente aos gastos. Referi que, se juntasse
álcool, os gastos iriam aumentar, pois a junção de ambas das
substâncias não iria permitir usufruir tanto dos efeitos da cocaína
e consequentemente vai sentiria necessidade de aumentar os consumos
desta substância durante a noite, o que se reflectiria na carteira e
aumentaria o risco de desidratação.
A rapariga ficou surpreendida com esta informação e comentou “Bacana,
de facto nunca tinha pensado nisso e realmente tem lógica! Obrigadão!” (sic).
_ _ _ _ _ _
Conversei
com dois rapazes, e o tema da conversa passou bastante pelo uso do preservativo
e pelo consumo de cocaína.
Segundo
eles é difícil ter-se o culto do uso do preservativo, pois nem sempre
se lembram de o pôr na carteira. Depois dizem que quem devia andar
com ele deviam ser as mulheres, pois têm uma mala que é grande e tudo
cabe lá dentro. Referem que o pior é mesmo quando estão embriagados,
pois não têm o discernimento de saber parar por não terem protecção,
“Já estamos quase no acto e é muita complicado parar, até parece
mal”(sic). Dizem que sabem os riscos que correm, e que
de hoje em diante vão tentar lembrar-se de se proteger, e que é sempre
bom haver alguém a recordar os riscos que as pessoas correm no que diz
respeito a sexo não seguro.
Em
relação à cocaína, revelam que de vez em quando consomem, não com muita
frequência. Um deles diz que tanto consome coca como álcool, todas as
segundas-feiras faz exercício físico e assim sente que se está a limpar
de uma noite de “maluqueira”(sic).
Falei-lhes da questão de não usarem nota mas sim um tubo próprio e não
o partilharem. Um deles diz que quando dá usa o seu próprio tudo, o
outro diz que nunca tinha pensado nisso. No final, dizem que “realmente esse é um óptimo projecto não devem parar o que estão
a fazer, continuem sempre, e não nos vamos esquecer de usar o preservativo!"
(sic).
Holofote
Em tempos que já lá vão…
Estivemos presentes no Espaço a Brincar para festejar mais um aniversário,
neste caso o 18º aniversário da assinatura da convenção para os direitos
da criança. Participamos com um mix (mistura
de vários peças do holofote) onde contamos com a presença da Veradoradora
da Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Sousa
Brito, que participou activamente numa das nossas cenas. Também estiveram
presentes representantes de várias instituições.
Escusado
será dizer que fomos muito bem recebidos, com já vem sendo hábito.
Nos tempos que correm…
Até ao final do mês de Setembro estamos em algumas das
escolas do concelho de Sintra com a peça “Vamos abrir o livro” destinada aos
professores. O balanço tem sido bastante positivo.
Somos uma equipa de 7 actores. Temos também connosco 3
elementos que acompanham de perto o nosso trabalho numa perspectiva de
interesse pela técnica utilizada.
Em tempos que virão…
Se és daqueles(as) que aguardas
impacientemente por mais uma aparição nossa ao público em geral, esta notícia
é para ti.
Em breve vamos ter duas temporadas onde vamos estar em cena
num espaço público para te pudermos apresentar as nossas novas
produções/reposições.
Coisas engraçadas.
Não te vou contar a nossa peça mas sim partilhar dois
momentos giros pelos quais passámos.
Ambos se passaram com as apresentações aos professores: o
primeiro acontece quando um dos professores entra em cena e coloca o nosso
actor literalmente à força fora da sala fechando a porta. Assim que é
colocado fora da sala, o actor provoca a irritação com a situação de modo a
exigir uma resposta por parte do professor em cena. Com aquela barulheira
toda, e depois de o professor abrir a porta da sala para o aluno sair, um funcionário que
está no corredor nessa altura intervêm dizendo para ele se acalmar e para não
fazer aquilo que não valia a pena. Foi uma cena muito rica, pois acabou por
ter uma intervenção que foi para além dos professores que estavam nesta
sessão (por parte do funcionário) o que foi excepcional.
Uma outra história interessante passasse também com professores.
No meio de uma representação nossa, conseguimos com que um espectador se dirija ao centro da arena e represente connosco.
A sua entrada é tímida, insegura e receosa, de quem não sabe o que vai ali fazer.
Com o desenrolar da cena, os actores que estavam a roubar, violentar física e psicologicamente e até abusar sexualmente da sua vítima, conseguem com que espectador vindo do público, participe com eles no acto de violência para com a vítima.
Ficamos espantados com a destreza do espectador após ele nos dizer que toda a sua intervenção foi planeada, e com o objectivo de fazer tempo, pois antes de chegar perto dos agressores, já tinha alertado as autoridades.
Foi das intervenções dos espectadores, nesta cena, mais interessantes.
Luís Tavares
Coordenador do Holofote – Luz sobre cenas da vida
holofote@conversasderua.org
Redução de danos em contexto de diversão
Ocidental – “Noite Segura”
Começamos por recordar que este é um projecto de Prevenção Selectiva e
Indicada com indivíduos com padrões de consumo de substâncias psicoactivas em contextos recreativos, que decorre desde
2007 nos concelhos de Cascais, Sintra e Mafra, no âmbito do Programa
de Intervenção Focalizada – financiado pelo Instituto
da Droga e da Toxicodependência.
O grande objectivo da nossa Intervenção tem sido desde o início
contribuir para a promoção de competências que levem à mudança de comportamentos
e atitudes face aos consumos de Substâncias Psicoactivas (SPA) e à Sexualidade de risco (ex: informar sobre as formas seguras de consumo, prevenir
ou minimizar os Policonsumos, prevenir as
doenças Infecto-contagiosas).
Para atingir esse objectivo, utilizamos o Trabalho Educativo de R ua.
Os nossos Educadores vão ter com os utentes/trabalhadores (de todas
as idades) dos espaços lúdicos e iniciam uma relação informal propícia
à passagem de mensagens e ao questionamento do sentido dos consumos,
sempre com uma linguagem despida de preconceitos ou de juízos de intenção
e de atitudes moralistas. Para além disso, distribuem diversos materiais
preventivos (ex: flyers, preservativos, lubrificantes,
chupas e água) e fazem a despistagem da taxa de alcoolemia nas zonas
envolventes da acção (normalmente à saída das zonas de bares, discotecas
e festas). Em caso de consumo abusivo crónico, tentamos acompanhar e
encaminhar, se necessário, para centros de tratamento especializado.
Também intervimos em caso de consumos excessivos pontuais, aplicando
técnicas de socorrismo e de suporte psicológico.
Actualmente, percorremos a faixa ocidental que vai desde o
Estoril à Ericeira. Estamos a trabalhar semanalmente em mais de 30
estabelecimentos de diversão como cafés, bares e discotecas, mas também
concertos, festivais, encontros e festas universitárias, festas de música
electrónica (ex: trance)
e zonas envolventes.
Sintra-se Seguro
Desde Julho de 2004 que a Conversas de Rua, em parceria
com a Câmara Municipal de Sintra, implementa o Programa “Sintra-se
Seguro” – Redução de Riscos e Minimização de Danos em Contextos de Diversão
como cafés, bares, discotecas, concertos, festas e zonas envolventes.
Este Programa engloba vários projectos na área da prevenção do consumo
problemático de substâncias psicoactivas e
dos comportamentos sexuais de risco – no concelho de Sintra. Em 2007,
foi lançado o Programa de Prevenção do Álcool “Sintra-se
Seguro – Beba com Medida”, especialmente dedicado à substância mais
consumida e ao mesmo tempo com mais consequências negativas sobre o
indivíduo e a comunidade.
Iniciámos no ano lectivo de 2007/2008 o Projecto Sintras-te OK – de Prevenção Selectiva e Indicada do
consumo do Álcool em Contexto Escolar – inserido no âmbito do Programa Sintra-se Seguro. Participaram neste projecto 7 Escolas
Secundárias do concelho de Sintra. Foram 14 as turmas que ao longo de 4
módulos (de 90min cada) obtiveram uma formação dinâmica com o seguinte
conteúdo programático:
1ºMódulo (90min) – Temas Específicos: Origem do
Álcool, Quantidade de Álcool presente nas bebidas, Efeitos e Consequências,
Mitos e Verdades, e Redução de Danos para quem decide consumir.
2ºMódulo (90min) – Participação numa sessão interactiva do grupo de teatro
Holofote – com a peça “Nunca te vi por cá” -
que abordou a temática da Adolescência e do Álcool (ex:
Álcool e Sexualidade, Pressão de Pares, Álcool e Família, e Álcool e
Condução).
3ºMódulo (90min) – Demonstração de Cocktails sem Álcool na sede/escola da
empresa CocktailTeam, onde os alunos aprenderam a
fazer os cocktails e trouxeram as receitas (ex:
Cocktail Afrodisíaco, Vitamínico, Nutritivo e Light).
4ºMódulo (90min) – Organização de Festas particulares com os temas
específicos: Saúde e Segurança, Alcoolismo Agudo, Primeiros Socorros e
Informações Úteis.
O balanço deste projecto foi muito positivo. É de realçar que já
temos as 10 Escolas Secundárias existentes no concelho de Sintra inscritas
para o próximo ano lectivo de 2008/2009.
Por
fim, queremos também destacar a intervenção levada a cabo pelos Educadores de
Rua nos bares de alterne do concelho de Sintra, ainda no âmbito do Programa Sintra-se Seguro. Desde 2007 que visitamos semanalmente
estes estabelecimentos para falar de questões ligadas à sexualidade e ao
consumo de substâncias psicoactivas com
trabalhadores e, por vezes, com clientes.
João Amaro
Coordenador de Redução
de Danos em contexto de diversão
conversasnanoite@conversasderua.org
Internacional
Ao nível da Redução de Danos em Contextos de Diversão, a
Conversas de Rua tem participado como parceiro no grupo de trabalho “Safer Nightlife”(www.democitydrug.org/safernightlife),
inserido no projecto europeu “Democracy, Cities & Drugs”, que tem
por objectivo promover respostas locais e participativas no âmbito do uso de
substâncias psicoactivas.
Para além disso, estivemos na 5ª Conferência Internacional
“Club Health 2008” (www.clubhealth.org.uk/conference/),
de 23 a 25 de Junho, em Ibiza, dedicada aos contextos de diversão nocturna,
uso de substâncias psicoactivas e questões de saúde
associadas.
Formação
Encontro internacional Olhares sobre a Rua
De
17 a 22 de Novembro de 2008, a Conversas de Rua organiza em Lisboa o
"Olhares sobre a rua... em conversa", o 4º Encontro Internacional
sobre o Trabalho Educativo de Rua.
Venham partilhar
experiências, saberes e ignorâncias connosco...
Mais informações:
AQUI
Alexis Varnier
Responsável de Comunicação e Financiamento
alexisvarnier@conversasderua.org
Ciclo de Workshops Vivenciais
Já
entre os meses de Outubro e Dezembro, vamos estabelecer uma parceria
com as Casas da Juventude de Almada e de Carnaxide. Integrado na agenda
cultural de cada uma, haverá um Ciclo de Workshops
promovido pela Conversas de Rua:
“Ciclo
de Workshops Vivenciais: Elementos do Som, da Arte
e da Energia”
É
um ciclo onde vão acontecer vários workshops, dados
por diferentes formadores.
Os
workshops são diferentes entre si e cada um
tem as suas particularidades. Existem workshops
de uma só sessão, existem outros de 2 sessões, outros de 4, outros de
8, de 10... Com a certeza de que a experiência será sempre vivencial,
de experimentação, de sintonização.
Nenhuma
das sessões excede os 120 minutos (2h) e existem escolhas para crianças,
pais, jovens, adultos, idosos e alguns workshops
que juntam diferentes gerações.
Consultar a programação – ver o modelo conceptual
Daniela Leal
Coordenadora da Área de Formação
Conversasnomail@conversasderua.org
Desenvolvimento Comunitário
Pelas aldeias de xisto…
Lousã, 29,30 e 31 de Agosto de
2008
No último fim-de-semana de Agosto,
o Perspectivas mudou de lugar, dirigiu-se
para norte, mais especificamente para a Lousã. Seis companheiros aventuraram-se
por estradas de Portugal, fazendo uma paragem fugaz na cidade de Coimbra
e seguindo de comboio até ao destino. Chegados à Lousã, fomos até à
Pousada da Juventude, pousámos a bagagem e procurámos o merecido
jantar, que se revelou bastante interessante, quer pelo paladar saboroso
dos alimentos, quer pelo carácter construtivo da conversa. Passeámos
um pouco pela terra, atravessando ruas e praças simpáticas, observando
as suas dinâmicas aconchegadas pela serra maternal, que tão bem cuida
e resguarda os seus habitantes. Voltando à pousada, trocámos umas ideias
e jogámos cartas, numa partilha natural de fim de noite, entre jovens
e educadores. Chegou então a hora de sonhos e sonos e cada um de nós
recolheu aos seus aposentos, decorados por um verde saltitante.
No dia seguinte, com um brilho tímido do sol, iniciámos o nosso percurso
matinal pela serra, serpenteando caminhos pouco navegados, conhecendo
diversas aldeias quase perdidas no tempo, que ganham agora uma nova
vida. Animais, plantas, riachos frescos e transparentes, artes e cerâmicas,
doces e licores, trilhos sinuosos e seres curiosos. A tarde preencheu-se
nas águas tranquilas da piscina e na comodidade das espreguiçadeiras,
até o sol nos avisar que se iria pôr.
Como a noite sempre traz outras
energias, assim também surgiram novos desafios e os seis companheiros em
discussão de fogo comedido apontaram diferentes abordagens sobre como
desfrutar as horas de entretenimento e lazer… e mais uma vez a diversidade
mostrou-se de enorme riqueza, o equilíbrio necessário e a Perspectiva
construída pelo grupo essencial.
Como tudo o que vai, volta, chegou a
hora de regresso no dia seguinte. Ao domingo, dia de certa recolha e
nostalgia, fizemos o trajecto para casa, que decorreu calmamente, ficando
dentro de cada um a sorridente recordação de mais uma viagem, que sempre se
repercute interiormente, tanto mais quanto a imaginação permitir.
Nina Monteiro
Educadora de Rua
Conversasnobairro@conversasderua.org
Assimetrias – Atelier de Rua
Durante as férias de Verão, Julho e
Agosto, decorreu o atelier de Rua - Assimetrias.
Este atelier consistiu num exercício de Educação pela Arte, no qual
a população recolheu material da natureza e de desperdício, de forma
a construir a simetria da imagem cedida pelos educadores. Esta actividade
decorreu nas três zonas de intervenção – Casalinho da Ajuda, 2 de Maio
e Eduardo Bairrada. Produto final...podem crer
encontrámos verdadeiros artistas, como podem verificar na foto!!!
Cláudia Prazeres
Coordenadora Desenvolvimento Comunitário
conversasnobairro@conversasderua.org
Há conversa sobre… Direitos e Deveres de Cidadania
Casalinho da Ajuda, 13 de Setembro
de 2008
O sol radiante aquecia o mural da zona
dred. Um grupo de jovens jogava às cartas
animado pelo prazer de amealhar alguns tostões. Mais adiante o Educador
de Rua observava atentamente enquanto outro educador folheava as páginas
cansadas dos classificados do Correio da Manhã, verbalizando:
- Oi, malta!
Temos aqui várias ofertas de trabalho…
Um jovem franzino, de boné, que ostentava
orgulhosamente o símbolo da “Lacoste”, com
calças descaídas na cintura simbolizando a onda urbana de estar, retorquiu: - Oi, Chico,
isso é só conversa! Eles querem lá saber de
alguma coisa.
O educador respondeu:
- Que é que estás a dizer? Estes
anúncios são de facto para quem quer concorrer ao trabalho pré-estabelecido
desde que tenhas requisitos e acima de tudo tens que concorrer porque sem
concorrer é impossível alcançar algum trabalho… (risos) …. Só se fores
convidado pelo patrão.
- Oh Chico, estás
com uma grande moral! Alguém ajuda lá alguém?!
De repente a conversa desviou-se
para outro rumo, já alguns jovens opinavam dizendo:
- Hoje em dia isto é uma selva!
Ninguém se preocupa com ninguém.
- Isto é para enganar o people!
Na bagunça, geraram-se várias opiniões
ao mesmo tempo que mal se compreendiam, onde se podiam ouvir algumas
palavras como “ninguém quer saber de ninguém…”, “se for possível pisam-te!”.
O educador, do alto do seu vozeirão, disse:
- Vamos lá ver se nos entendemos! Quanto
aos anúncios, acho que é claro, facilita imenso a procura de trabalho,
cada um é que pode achar se deve ou não concorrer. É uma questão de
opção.
O grupo olhou, sorridente, compreendendo-se
notoriamente que era uma opção generalizada não concorrer àqueles anúncios
e o educador continuou:
- Ouvi dizer que o pessoal hoje em
dia não se preocupa com ninguém. Pode até ser em certas situações mas há
coisas básicas que podem ser feitas para melhorarmos o mundo, por exemplo, se
passares por um homem estatelado no chão e a sangrar, o que fazem?
O jovem que estava à direita disse:
- Nada! Eu vou-me embora! Ainda a
bófia pensa que eu é que cometi…
Mais adiante, entre risos, ouvimos
ferozmente:
- Se fosse eu, ninguém se preocupava!
- Meteu-se a jeito! Aguenta-se à bomboca!
O educador, com alguma dificuldade
de explicar, disse:
- Não será mais fácil fazer um telefonema
para o 112 a indicar o local e a ocorrência?! Ou telefonar à polícia,
se for caso de passarem em algum sítio e virem um movimento estranho,
possível arrombamento ou roubo de determinada casa/instituição?!
Os jovens mostraram-se receosos e um
deles retorquiu:
- Ainda pensam que fomos nós! Porque
eles pedem identificação.
Os educadores apelaram ao bom senso
dizendo que fazendo um telefonema exercemos o nosso direito/dever de
cidadãos. Se depois não nos identificarmos isto já é uma opção.
Um dos jovens continuou:
- Mas se eles não aparecerem?
A educadora, atenta à discussão, disse:
- Eu, tu, nós somos responsáveis
pelos nossos actos, temos legitimidade para denunciar tais situações caso
algo de grave suceda devido à falta dos profissionais em questão. O mais
importante é que cada um de nós exerça o dever/direito enquanto cidadão. Até
porque ficaremos de consciência tranquila se tentarmos ajudar.
Francisco Mateus
Educador de Rua
Conversasnobairro@conversasderua.org
A Loja da Conversas de Rua
A Loja da Conversas de Rua on-line chegou. A partir
de agora pode conhecer e comprar os produtos com o design da Conversas
de Rua. Para si ou para oferecer…
Visite aqui
a nossa loja.
Voluntariado
Mudanças no voluntariado da Conversas de Rua
A
Conversas de Rua reorganizou as suas ofertas de voluntariado com o propósito
de abarcar pessoas de diferentes áreas e horizontes mas com uma mesma vontade
de actuar.
Cinco tipos de voluntariado:
Voluntários pontuais para festas, férias, eventos
específicos, passagem de questionários, etc.
Voluntários específicos em áreas sinalizadas pela Conversas
de Rua: Tradução, Apoio jurídico, Design gráfico, Comunicação, Fotógrafos,
Informática, etc…
Voluntários educadores da noite, voluntários que vão uma vez por semana
ou três vezes por mês com os educadores da noite ao encontro do pessoal
para efectuar um Trabalho Educativo de Rua.
Voluntários da área cultural e reflexão. É uma área de criação de eventos
culturais que tem por objectivo favorecer a reflexão e dar
a palavra aos educadores sociais. Poderão criar uma Newsletter
à parte.
Voluntários da comissão de qualidade e
transparência: conselho consultivo que promove massa crítica,
permitindo a evolução do trabalho da Associação.
Precisamos
_DUM ESPAÇO
Estamos
à procura dum novo espaço para desenvolvermos as nossas actividades,
permitindo um melhor acolhimento das pessoas nos nossos projectos. Se
conhecerem um local... não hesitem em contactar-nos.
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VOLUNTARIADO na noite
Os Educadores de Rua em contexto de diversão
abrem a sua actividade ao voluntariado. Se estás interessado em fazer
parte duma equipa de Educadores de Rua, ir ao encontro dos frequentadores
da noite para falar abertamente acerca dos consumos de substâncias psico-activas,
contacta conversasnanoite@conversasderua.org
Conversas de Rua - Associação
Web : www.conversasderua.org
Tel.**351 217 959 965
Morada:
Conversas de Rua - Associação Fax.**351 217 959 964
Palácio
dos Coruchéus - AT.53
Mail: Conversasnomail@conversasderua.org
R. Alberto de
Oliveira Skype: Conversasderua
1700-019
Lisboa
MSN :conversasnomsn@conversasderua.org
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