Notícias Outubro 2008

Olá a todos,

É com muito prazer que vos enviamos esta segunda Newsletter do Ano 2008. Desta forma pretendemos passar mais e melhor a informação sobre as  actividades, tornando-as cada vez mais transparentes. Assim, a Conversas de Rua decidiu retomar as suas notícias trimestrais.

Desta vez, quisemos dar-vos a conhecer o dia-a-dia dos educadores da Conversas de Rua. Assim, compilamos alguns testemunhos e histórias marcantes de intervenções retirados dos diários de trabalho ou de conversas informais.

Como temos muito para vos contar, aqui enviamos um resumo de cada área de trabalho com links para o nosso site de forma a aceder à totalidade da Newsletter. 

Esperamos que a leitura seja agradável e que estas notícias provoquem reacções, dúvidas e opiniões. Não hesitem em contactar-nos. Já sabem que gostamos de conversa…

Alexis Varnier

Responsável de Comunicação e Financiamento

Educação pela Arte

Actividades de Enriquecimento Curricular

Pelo segundo ano consecutivo e na sequência da prioridade concedida pelo Governo à melhoria das condições de ensino e aprendizagem no 1.º ciclo do Ensino Básico, a Conversas de Rua-Associação é responsável pela docência da Educação Musical em duas escolas de Alvalade (101 e 111).

Os nossos professores de Música, qualificados para o cargo, têm um acompanhamento de um coordenador que, em cada uma das escolas, promove a ligação/comunicação entre a associação, a escola e a família das crianças.

Para além das aulas, criámos um horário semanal de formação, no qual os professores planificam, definem estratégias e reflectem sobre o trabalho que está a ser efectuado.

Para além do ensino desta disciplina e desta formação para professores, temos establecido comunicação entre os nossos professores e as escolas em que actuamos, envolvendo as famílias dos nossos alunos e a comunidade em geral. Convidamos pais a vir às aulas e a experimentar, organizamos exibições e colaboramos com as escolas em festas e outros eventos que se realizam ao longo do ano lectivo.

Participámos activamente na elaboração da festa de final de ano das escolas, integrando os projectos de cada turma e articulando com os professores titulares. Criámos um hino para uma das escolas, subordinado ao tema do ano. Criámos cenários, escrevemos a letra, compusemos a música e coreografámos as crianças para a apresentação final (ver fotografia).

 

Daniela Leal

Coordenadora de Área de Formação

 

Uma história pequena dum workshop na rua

Tínhamos planeado fazer um workshop na rua. No dia anterior corremos o bairro e não havia crianças nem jovens na rua.

Fomos para outra zona do bairro, podendo mesmo dizer-se que era outro bairro, devido às características da população.

Aí. sim encontrámos um grupo de crianças que estavam a jogar à “batota” com cartas e a dinheiro.

A mim não me espantou, mas achei estranho…

Aproximámo-nos deles com os educadores que já eram conhecidos, cumprimentámo-los e apresentaram-me. Desafiei-os a fazer um origami, mas nem todos sabiam do que se tratava. Depois de estarem esclarecidas, as crianças que assistiam ao desenrolar do jogo acederam e começámos as primeiras dobragens, enquanto os “jogadores” diziam que se juntariam a nós no fim… mas rapidamente desistiram e se juntaram ao resto do grupo.

Fizemos três origamis o que foi fantástico para miúdos que têm dificuldade em se concentrarem muito tempo a fazer uma mesma coisa. Depois despediram-se e lá foi cada um para seu sítio fazer outras actividades…  

Francisco Peres

Coordinador de Educação pela Arte

conversascomarte@conversasderua.org

 

Palavras de Educadores

Histórias da noite

Extractos do caderno de bordo da equipa da noite

Abordei um grupo na noite de Lisboa, apresentando dicas sobre o consumo de cocaína. Entreguei o Flyer sobre Cocaína e fui dando as dicas de redução dos danos do consumo desta substância. O grupo estava visivelmente sob o efeito de substâncias, apenas uma das raparigas estava mais interessada em ouvir as dicas. Esta rapariga referiu que concordava com a questão de não usar a nota como tubo para snifar e com a não partilha do tubo, agradeceu esta dica pois nunca se tinha apercebido da possibilidade de se poder apanhar doenças como Hepatite, Gripe, entre outras. No entanto, a rapariga discordou do facto de não consumir ao mesmo tempo álcoo: “Oh pá! Bacana, isso é que não! Concordo com o resto das cenas e faz bué sentido mas isso não. Eu curto é beber álcool e quando começo a ficar mais down meto uns riscos de coca e depois para acalmar bebo mais uns copos. Assim é que eu curto a noite(sic).

Sensibilizei-a para a questão do dinheiro, de forma a controlar mais a sua noite relativamente aos gastos. Referi que, se juntasse álcool, os gastos iriam aumentar, pois a junção de ambas das substâncias não iria permitir usufruir tanto dos efeitos da cocaína e consequentemente vai sentiria necessidade de aumentar os consumos desta substância durante a noite, o que se reflectiria na carteira e aumentaria o risco de desidratação.

A rapariga ficou surpreendida com esta informação e comentou “Bacana, de facto nunca tinha pensado nisso e realmente tem lógica! Obrigadão!” (sic).

 

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Conversei com dois rapazes, e o tema da conversa passou bastante pelo uso do preservativo e pelo consumo de cocaína.

Segundo eles é difícil ter-se o culto do uso do preservativo, pois nem sempre se lembram de o pôr na carteira. Depois dizem que quem devia andar com ele deviam ser as mulheres, pois têm uma mala que é grande e tudo cabe lá dentro. Referem que o pior é mesmo quando estão embriagados, pois não têm o discernimento de saber parar por não terem protecção, “Já estamos quase no acto e é muita complicado parar, até parece mal(sic). Dizem que sabem os riscos que correm, e que de hoje em diante vão tentar lembrar-se de se proteger, e que é sempre bom haver alguém a recordar os riscos que as pessoas correm no que diz respeito a sexo não seguro.

Em relação à cocaína, revelam que de vez em quando consomem, não com muita frequência. Um deles diz que tanto consome coca como álcool, todas as segundas-feiras faz exercício físico e assim sente que se está a limpar de uma noite de “maluqueira”(sic). Falei-lhes da questão de não usarem nota mas sim um tubo próprio e não o partilharem. Um deles diz que quando dá usa o seu próprio tudo, o outro diz que nunca tinha pensado nisso. No final, dizem que “realmente esse é um óptimo projecto não devem parar o que estão a fazer, continuem sempre, e não nos vamos esquecer de usar o preservativo!" (sic).

 

Holofote

Em tempos que já lá vão…

Estivemos presentes no Espaço a Brincar para festejar mais um aniversário, neste caso o 18º aniversário da assinatura da convenção para os direitos da criança. Participamos com um mix (mistura de vários peças do holofote) onde contamos com a presença da Veradoradora da Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Sousa Brito, que participou activamente numa das nossas cenas. Também estiveram presentes representantes de várias instituições.

Escusado será dizer que fomos muito bem recebidos, com já vem sendo hábito.

 

 

Nos tempos que correm…

Até ao final do mês de Setembro estamos em algumas das escolas do concelho de Sintra com a peça “Vamos abrir o livro” destinada aos professores. O balanço tem sido bastante positivo.

Somos uma equipa de 7 actores. Temos também connosco 3 elementos que acompanham de perto o nosso trabalho numa perspectiva de interesse pela técnica utilizada.

 

 

Em tempos que virão…

Se és daqueles(as) que aguardas impacientemente por mais uma aparição nossa ao público em geral, esta notícia é para ti.

 

Em breve vamos ter duas temporadas onde vamos estar em cena num espaço público para te pudermos apresentar as nossas novas produções/reposições.

 

Coisas engraçadas.

Não te vou contar a nossa peça mas sim partilhar dois momentos giros pelos quais passámos.

Ambos se passaram com as apresentações aos professores: o primeiro acontece quando um dos professores entra em cena e coloca o nosso actor literalmente à força fora da sala fechando a porta. Assim que é colocado fora da sala, o actor provoca a irritação com a situação de modo a exigir uma resposta por parte do professor em cena. Com aquela barulheira toda, e depois de o professor abrir a porta da sala para o aluno sair, um funcionário  que está no corredor nessa altura intervêm dizendo para ele se acalmar e para não fazer aquilo que não valia a pena. Foi uma cena muito rica, pois acabou por ter uma intervenção que foi para além dos professores que estavam nesta sessão (por parte do funcionário) o que foi excepcional.

 

Uma outra história interessante passasse também com professores. No meio de uma representação nossa, conseguimos com que um espectador se dirija ao centro da arena e represente connosco. A sua entrada é tímida, insegura e receosa, de quem não sabe o que vai ali fazer. Com o desenrolar da cena, os actores que estavam a roubar, violentar física e psicologicamente e até abusar sexualmente da sua vítima, conseguem com que espectador vindo do público, participe com eles no acto de violência para com a vítima. Ficamos espantados com a destreza do espectador após ele nos dizer que toda a sua intervenção foi planeada, e com o objectivo de fazer tempo, pois antes de chegar perto dos agressores, já tinha alertado as autoridades. Foi das intervenções dos espectadores, nesta cena, mais interessantes.

Luís Tavares

Coordenador do Holofote – Luz sobre cenas da vida

holofote@conversasderua.org

Redução de danos em contexto de diversão

 

Ocidental – “Noite Segura”

Começamos por recordar que este é um projecto de Prevenção Selectiva e Indicada com indivíduos com padrões de consumo de substâncias psicoactivas em contextos recreativos, que decorre desde 2007 nos concelhos de Cascais, Sintra e Mafra, no âmbito do Programa de Intervenção Focalizada – financiado pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência.

 

O grande objectivo da nossa Intervenção tem sido desde o início contribuir para a promoção de competências que levem à mudança de comportamentos e atitudes face aos consumos de Substâncias Psicoactivas (SPA) e à Sexualidade de risco (ex: informar sobre as formas seguras de consumo, prevenir ou minimizar os Policonsumos, prevenir as doenças Infecto-contagiosas).

Para atingir esse objectivo, utilizamos o Trabalho Educativo de Rua. Os nossos Educadores vão ter com os utentes/trabalhadores (de todas as idades) dos espaços lúdicos e iniciam uma relação informal propícia à passagem de mensagens e ao questionamento do sentido dos consumos, sempre com uma linguagem despida de preconceitos ou de juízos de intenção e de atitudes moralistas. Para além disso, distribuem diversos materiais preventivos (ex: flyers, preservativos, lubrificantes, chupas e água) e fazem a despistagem da taxa de alcoolemia nas zonas envolventes da acção (normalmente à saída das zonas de bares, discotecas e festas). Em caso de consumo abusivo crónico, tentamos acompanhar e encaminhar, se necessário, para centros de tratamento especializado. Também intervimos em caso de consumos excessivos pontuais, aplicando técnicas de socorrismo e de suporte psicológico.  

 

Actualmente, percorremos a faixa ocidental que vai desde o Estoril à Ericeira. Estamos a trabalhar semanalmente em mais de 30 estabelecimentos de diversão como cafés, bares e discotecas, mas também concertos, festivais, encontros e festas universitárias, festas de música electrónica (ex: trance) e zonas envolventes.

Sintra-se Seguro

  

Desde Julho de 2004 que a Conversas de Rua, em parceria com a Câmara Municipal de Sintra, implementa o Programa “Sintra-se Seguro” – Redução de Riscos e Minimização de Danos em Contextos de Diversão como cafés, bares, discotecas, concertos, festas e zonas envolventes. Este Programa engloba vários projectos na área da prevenção do consumo problemático de substâncias psicoactivas e dos comportamentos sexuais de risco – no concelho de Sintra. Em 2007, foi lançado o Programa de Prevenção do Álcool “Sintra-se Seguro – Beba com Medida”, especialmente dedicado à substância mais consumida e ao mesmo tempo com mais consequências negativas sobre o indivíduo e a comunidade.  

 

Iniciámos no ano lectivo de 2007/2008 o Projecto Sintras-te OK – de Prevenção Selectiva e Indicada do consumo do Álcool em Contexto Escolar – inserido no âmbito do Programa Sintra-se Seguro. Participaram neste projecto 7 Escolas Secundárias do concelho de Sintra. Foram 14 as turmas que ao longo de 4 módulos (de 90min cada) obtiveram uma formação dinâmica com o seguinte conteúdo programático:

 

1ºMódulo (90min) Temas Específicos: Origem do Álcool, Quantidade de Álcool presente nas bebidas, Efeitos e Consequências, Mitos e Verdades, e Redução de Danos para quem decide consumir.

 

2ºMódulo (90min) – Participação numa sessão interactiva do grupo de teatro Holofote – com a peça “Nunca te vi por cá” - que abordou a temática da Adolescência e do Álcool (ex: Álcool e Sexualidade, Pressão de Pares, Álcool e Família, e Álcool e Condução).

 

3ºMódulo (90min) – Demonstração de Cocktails sem Álcool na sede/escola da empresa CocktailTeam, onde os alunos aprenderam a fazer os cocktails e trouxeram as receitas (ex: Cocktail Afrodisíaco, Vitamínico, Nutritivo e Light).

 

4ºMódulo (90min) – Organização de Festas particulares com os temas específicos: Saúde e Segurança, Alcoolismo Agudo, Primeiros Socorros e Informações Úteis.

 

O balanço deste projecto foi muito positivo. É de realçar que já temos as 10 Escolas Secundárias existentes no concelho de Sintra inscritas para o próximo ano lectivo de 2008/2009.

Por fim, queremos também destacar a intervenção levada a cabo pelos Educadores de Rua nos bares de alterne do concelho de Sintra, ainda no âmbito do Programa Sintra-se Seguro. Desde 2007 que visitamos semanalmente estes estabelecimentos para falar de questões ligadas à sexualidade e ao consumo de substâncias psicoactivas com trabalhadores e, por vezes, com clientes.

 

João Amaro

Coordenador de Redução de Danos em contexto de diversão

conversasnanoite@conversasderua.org

Internacional

Ao nível da Redução de Danos em Contextos de Diversão, a Conversas de Rua tem participado como parceiro no grupo de trabalho “Safer Nightlife(www.democitydrug.org/safernightlife), inserido no projecto europeu “Democracy, Cities & Drugs”, que tem por objectivo promover respostas locais e participativas no âmbito do uso de substâncias psicoactivas.

 

Para além disso, estivemos na 5ª Conferência Internacional “Club Health 2008” (www.clubhealth.org.uk/conference/), de 23 a 25 de Junho, em Ibiza, dedicada aos contextos de diversão nocturna, uso de substâncias psicoactivas e questões de saúde associadas. 

Club Health Slovenia 08

 

Formação

Encontro internacional Olhares sobre a Rua

De 17 a 22 de Novembro de 2008, a Conversas de Rua organiza em Lisboa o "Olhares sobre a rua... em conversa", o 4º Encontro Internacional sobre o Trabalho Educativo de Rua.

 

 

 

Venham partilhar experiências, saberes e ignorâncias connosco... 

Mais informações: AQUI

Alexis Varnier

Responsável de Comunicação e Financiamento

alexisvarnier@conversasderua.org

 

Ciclo de Workshops Vivenciais

Já entre os meses de Outubro e Dezembro, vamos estabelecer uma parceria com as Casas da Juventude de Almada e de Carnaxide. Integrado na agenda cultural de cada uma, haverá um Ciclo de Workshops promovido pela Conversas de Rua:

“Ciclo de Workshops Vivenciais: Elementos do Som, da Arte e da Energia”

É um ciclo onde vão acontecer vários workshops, dados por diferentes formadores.

Os workshops são diferentes entre si e cada um tem as suas particularidades. Existem workshops de uma só sessão, existem outros de 2 sessões, outros de 4, outros de 8, de 10... Com a certeza de que a experiência será sempre vivencial, de experimentação, de sintonização.

Nenhuma das sessões excede os 120 minutos (2h) e existem escolhas para crianças, pais, jovens, adultos, idosos e alguns workshops que juntam diferentes gerações.

Consultar a programação – ver o modelo conceptual

Daniela Leal

Coordenadora da Área de Formação

Conversasnomail@conversasderua.org

 

Desenvolvimento Comunitário

Pelas aldeias de xisto…

Lousã, 29,30 e 31 de Agosto de 2008

No último fim-de-semana de Agosto, o Perspectivas mudou de lugar, dirigiu-se para norte, mais especificamente para a Lousã. Seis companheiros aventuraram-se por estradas de Portugal, fazendo uma paragem fugaz na cidade de Coimbra e seguindo de comboio até ao destino. Chegados à Lousã, fomos até à Pousada da Juventude, pousámos a bagagem e procurámos o merecido jantar, que se revelou bastante interessante, quer pelo paladar saboroso dos alimentos, quer pelo carácter construtivo da conversa. Passeámos um pouco pela terra, atravessando ruas e praças simpáticas, observando as suas dinâmicas aconchegadas pela serra maternal, que tão bem cuida e resguarda os seus habitantes. Voltando à pousada, trocámos umas ideias e jogámos cartas, numa partilha natural de fim de noite, entre jovens e educadores. Chegou então a hora de sonhos e sonos e cada um de nós recolheu aos seus aposentos, decorados por um verde saltitante.

No dia seguinte, com um brilho tímido do sol, iniciámos o nosso percurso matinal pela serra, serpenteando caminhos pouco navegados, conhecendo diversas aldeias quase perdidas no tempo, que ganham agora uma nova vida. Animais, plantas, riachos frescos e transparentes, artes e cerâmicas, doces e licores, trilhos sinuosos e seres curiosos. A tarde preencheu-se nas águas tranquilas da piscina e na comodidade das espreguiçadeiras, até o sol nos avisar que se iria pôr.

Como a noite sempre traz outras energias, assim também surgiram novos desafios e os seis companheiros em discussão de fogo comedido apontaram diferentes abordagens sobre como desfrutar as horas de entretenimento e lazer… e mais uma vez a diversidade mostrou-se de enorme riqueza, o equilíbrio necessário e a Perspectiva construída pelo grupo essencial.

Como tudo o que vai, volta, chegou a hora de regresso no dia seguinte. Ao domingo, dia de certa recolha e nostalgia, fizemos o trajecto para casa, que decorreu calmamente, ficando dentro de cada um a sorridente recordação de mais uma viagem, que sempre se repercute interiormente, tanto mais quanto a imaginação permitir.

 

Nina Monteiro

Educadora de Rua

Conversasnobairro@conversasderua.org

 

Assimetrias – Atelier de Rua

Durante as férias de Verão, Julho e Agosto, decorreu o atelier de Rua - Assimetrias. Este atelier consistiu num exercício de Educação pela Arte, no qual a população recolheu material da natureza e de desperdício, de forma a construir a simetria da imagem cedida pelos educadores. Esta actividade decorreu nas três zonas de intervenção – Casalinho da Ajuda, 2 de Maio e Eduardo Bairrada. Produto final...podem crer encontrámos verdadeiros artistas, como podem verificar na foto!!!

Cláudia Prazeres

Coordenadora Desenvolvimento Comunitário

conversasnobairro@conversasderua.org

 

 

 

Há conversa sobre… Direitos e Deveres de Cidadania

Casalinho da Ajuda, 13 de Setembro de 2008

O sol radiante aquecia o mural da zona dred. Um grupo de jovens jogava às cartas animado pelo prazer de amealhar alguns tostões. Mais adiante o Educador de Rua observava atentamente enquanto outro educador folheava as páginas cansadas dos classificados do Correio da Manhã, verbalizando:

- Oi, malta! Temos aqui várias ofertas de trabalho…

Um jovem franzino, de boné, que ostentava orgulhosamente o símbolo da Lacoste, com calças descaídas na cintura simbolizando a onda urbana de estar, retorquiu:

- Oi, Chico, isso é só conversa! Eles querem lá saber de alguma coisa.

O educador respondeu:

- Que é que estás a dizer? Estes anúncios são de facto para quem quer concorrer ao trabalho pré-estabelecido desde que tenhas requisitos e acima de tudo tens que concorrer porque sem concorrer é impossível alcançar algum trabalho… (risos) …. Só se fores convidado pelo patrão.

- Oh Chico, estás com uma grande moral! Alguém ajuda lá alguém?!

De repente a conversa desviou-se para outro rumo, já alguns jovens opinavam dizendo:

- Hoje em dia isto é uma selva! Ninguém se preocupa com ninguém.

- Isto é para enganar o people!

Na bagunça, geraram-se várias opiniões ao mesmo tempo que mal se compreendiam, onde se podiam ouvir algumas palavras como “ninguém quer saber de ninguém…”, “se for possível pisam-te!”. O educador, do alto do seu vozeirão, disse:

- Vamos lá ver se nos entendemos! Quanto aos anúncios, acho que é claro, facilita imenso a procura de trabalho, cada um é que pode achar se deve ou não concorrer. É uma questão de opção.

O grupo olhou, sorridente, compreendendo-se notoriamente que era uma opção generalizada não concorrer àqueles anúncios e o educador continuou:

- Ouvi dizer que o pessoal hoje em dia não se preocupa com ninguém. Pode até ser em certas situações mas há coisas básicas que podem ser feitas para melhorarmos o mundo, por exemplo, se passares por um homem estatelado no chão e a sangrar, o que fazem?

O jovem que estava à direita disse:

- Nada! Eu vou-me embora! Ainda a bófia pensa que eu é que cometi…

Mais adiante, entre risos, ouvimos ferozmente:

- Se fosse eu, ninguém se preocupava!

- Meteu-se a jeito! Aguenta-se à bomboca!

O educador, com alguma dificuldade de explicar, disse:

- Não será mais fácil fazer um telefonema para o 112 a indicar o local e a ocorrência?! Ou telefonar à polícia, se for caso de passarem em algum sítio e virem um movimento estranho, possível arrombamento ou roubo de determinada casa/instituição?!

Os jovens mostraram-se receosos e um deles retorquiu:

- Ainda pensam que fomos nós! Porque eles pedem identificação.

Os educadores apelaram ao bom senso dizendo que fazendo um telefonema exercemos o nosso direito/dever de cidadãos. Se depois não nos identificarmos isto já é uma opção.

Um dos jovens continuou:

- Mas se eles não aparecerem?

A educadora, atenta à discussão, disse:

- Eu, tu, nós somos responsáveis pelos nossos actos, temos legitimidade para denunciar tais situações caso algo de grave suceda devido à falta dos profissionais em questão. O mais importante é que cada um de nós exerça o dever/direito enquanto cidadão. Até porque ficaremos de consciência tranquila se tentarmos ajudar.

 

Francisco Mateus

Educador de Rua

Conversasnobairro@conversasderua.org

 

A Loja da Conversas de Rua

 

 

A Loja da Conversas de Rua on-line chegou. A partir de agora pode conhecer e comprar os produtos com o design da Conversas de Rua. Para si ou para oferecer…

Visite aqui a nossa loja.

 

 

 

 

Voluntariado

 

Mudanças no voluntariado da Conversas de Rua

A Conversas de Rua reorganizou as suas ofertas de voluntariado com o propósito de abarcar pessoas de diferentes áreas e horizontes mas com uma mesma vontade de actuar.

Cinco tipos de voluntariado:

Voluntários pontuais para festas, férias, eventos específicos, passagem de questionários, etc.

Voluntários específicos em áreas sinalizadas pela Conversas de Rua: Tradução, Apoio jurídico, Design gráfico, Comunicação, Fotógrafos, Informática, etc

Voluntários educadores da noite, voluntários que vão uma vez por semana ou três vezes por mês com os educadores da noite ao encontro do pessoal para efectuar um Trabalho Educativo de Rua.

Voluntários da área cultural e reflexão. É uma área de criação de eventos culturais que tem por objectivo favorecer a reflexão e dar a palavra aos educadores sociais. Poderão criar uma Newsletter à parte.

Voluntários da comissão de qualidade e transparência: conselho consultivo que promove massa crítica, permitindo a evolução do trabalho da Associação.

Precisamos 

_DUM ESPAÇO

 Estamos à procura dum novo espaço para desenvolvermos as nossas actividades, permitindo um melhor acolhimento das pessoas nos nossos projectos. Se conhecerem um local... não hesitem em  contactar-nos.

 _ VOLUNTARIADO na noite

 Os Educadores de Rua em contexto de diversão abrem a sua actividade ao voluntariado. Se estás interessado em fazer parte duma equipa de Educadores de Rua, ir ao encontro dos frequentadores da noite para falar abertamente acerca dos consumos de substâncias psico-activas, contacta conversasnanoite@conversasderua.org

 

Conversas de Rua - Associação          

Web : www.conversasderua.org          Tel.**351 217 959 965

Morada: Conversas de Rua - Associação Fax.**351 217 959 964

  Palácio dos Coruchéus - AT.53       Mail: Conversasnomail@conversasderua.org

  R. Alberto de Oliveira              Skype: Conversasderua

  1700-019 Lisboa                     MSN :conversasnomsn@conversasderua.org